A Bertech Sistemas e Serviços Ltda., empresa contratada pela Prefeitura para prestar serviços na área de saúde, entrou em contato com o Tribuna após reportagem publicada que abordou o debate entre vereadores na Câmara Municipal durante sessão do dia 9 de outubro.

Na oportunidade, foram expostas as afirmações feitas pelos edis, que diziam que o serviço contratado pelo município com a empresa – que disponibiliza um sistema de software para integrar a saúde municipal – já estaria há dois anos sem funcionamento, que os próprios colaboradores do setor haviam feitos solicitações para que o contrato fosse encerrado, que já haviam sido feitos pagamentos na casa dos R$ 5 milhões pelos serviços e que não havia a necessidade de contratação do serviço tendo em vista a disponibilidade do SUS.

Todo o exposto foi refutado pelo Bertech, que solicitou um direito de resposta no caso. Importante salientar que o Tribuna pediu esclarecimentos para a Prefeitura a respeito das afirmações feitas na Câmara, mas a mesma não retornou com as respostas.

Segundo a empresa, a afirmação da mesma ter recebido mais de R$ 5 milhões em verba pública pelo serviço estaria incorreta. “A afirmação não corresponde à realidade. O valor total efetivamente pago ao longo de 24 meses (2024 e 2025) foi de R$ 2.828.149,00, conforme discriminado nos registros financeiros da própria Prefeitura, valores esses inclusive postergados ou acumulados em razão da falta de recursos orçamentários do município. Frise-se que o contrato opera por demanda, e não obrigatoriamente pela sua totalidade”.

A Bertech ainda completou dizendo que “aproximadamente 17,58% (do valor) foi destinado ao comodato de equipamentos essenciais que o município não possuía, como servidores, computadores e totens de atendimento”.

Em relação a ineficiência do serviço prestado ao município, a empresa afirmou que “todas as unidades de saúde do município foram integradas em um único prontuário eletrônico, assegurando a continuidade do cuidado ao paciente e a centralização das informações clínicas. Também há integração com o almoxarifado central, o Hospital Municipal e os demais setores de saúde, com rastreabilidade de estoque de insumos e medicamentos”.

Ela ainda disse que veio ofertando “treinamentos periódicos, reciclagens e suporte técnico 24 horas, contribuindo para a melhoria contínua da operação, inclusive diante de desafios operacionais alheios à responsabilidade da contratada, como infraestrutura de rede, adesão dos usuários e alimentação de dados”.

A respeito do sistema e-SUS, a Bertech disse que sua plataforma “contempla recursos não disponíveis” em relação ao oferecido pelo governo federal, como fornecimento de servidores, no-breaks, totens, mini PCs, monitores, impressoras, celulares, televisores, aplicativos, módulos de ponto eletrônico, controle de estoque, painel de chamadas e regulação, unificação de prontuários eletrônicos com acesso integrado em toda a rede, integrações com as bases BNAFAR e RNDS.

“Tais funcionalidades representam diferencial técnico e operacional justificador da contratação, realizada com base em recursos próprios do Fundo Municipal de Saúde, conforme informado inclusive em procedimento do Ministério Público da Comarca de Ipaussu/SP”.

A questão da denúncia feita ao Ministério Público pelo vereador Tiago Fontolan (PL), também foi abordada pela empresa no documento enviado à reportagem.

“É fundamental informar que, em um procedimento de investigação similar ocorrido na comarca de Ipaussu/SP (PPIC n. 0288.0000057/2025), que analisou contratos da Bertech em diversos municípios — incluindo o município de Itapira —, o Ministério Público promoveu o ARQUIVAMENTO do feito. Na decisão, o Promotor de Justiça concluiu que as diligências “não revelaram indícios de uma prática delitiva sistemática e coordenada”, afastando a tese de irregularidade”.

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