A questão de uma crise hídrica em Itapira, agravado pelo registro do volume de chuvas em 2025 como sendo o terceiro ano mais seco dos últimos 28 anos no município, é um fato que intensifica a antiga preocupação da população com a falta de água.

Em contraste com a problemática, a gestão do Prefeito Toninho Bellini caminha em ritmo lento na construção de uma nova estação de captação de água no Rio do Peixe, apesar de ter contraído um empréstimo de R$ 30 milhões em 2022 – dos quais R$ 5 milhões seriam destinados a essa obra vital – e de ter garantido outros R$ 30 milhões via PAC em 2024, levantando questionamentos sobre a priorização e execução de projetos que, segundo a própria prefeitura, seriam a solução definitiva para o problema.

Chuva

De acordo com dados oficiais do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Itapira, o histórico de chuvas confirma anos de estiagens.

Desde 1.998, quando a autarquia passou a realizar as medições, os anos mais secos registrados foram 2021 (1.016,20 mm), seguido por 2014 (1.058,20 mm) e, mais recentemente, 2025 (1.124,70 mm) – veja mais na tabela desta página.

Em 2025, três meses ficaram abaixo dos 10 milímetros de chuva registrados: julho (6,1 mm), agosto (6,4 mm) e maio (8,6 mm). Em contrapartida, os meses mais chuvosos foram janeiro (259,7 mm), novembro (193,7 mm) e abril (153,9 mm).

Lentidão

Diante desse cenário, a lentidão na execução das obras de infraestrutura hídrica se destaca e gera questionamentos.

Em maio de 2022, o Diário Oficial de Itapira publicou o Decreto nº 72, abrindo um crédito especial junto ao Programa FINISA (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento). Conforme documento obtido pelo Tribuna de Itapira na época, mostrava que a estação de captação de água no Rio do Peixe estava na descrição, sendo R$ 5 milhões desse montante especificamente para a obra, que nunca deixou de ser apenas uma justificativa para a Prefeitura receber o valor.

Este projeto foi tratado pela administração Bellini como a solução praticamente definitiva para o problema de abastecimento que, em anos críticos, já exigiu o bombeamento de água das lagoas de ceramistas locais, além da Fazenda Santa Bárbara, para o ponto de captação no Ribeirão da Penha.

Mais recentemente, em 2024, a prefeitura garantiu mais de R$ 30 milhões através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal. A própria Prefeitura divulgou em dezembro daquele ano que o prefeito Toninho Bellini havia assinado as documentações para a Caixa Econômica Federal para dar continuidade aos processos burocráticos que envolvem a construção do novo sistema de captação de água do município.

A aprovação da proposta itapirense foi, inclusive, publicada, bem como autorização do repasse das verbas para liberação da primeira parte do recurso financeiro de R$ 1,48 milhões.

No entanto, passados mais de um ano desses acontecimentos, a construção ainda não começou efetivamente.

Um requerimento do vereador Leandro Sartori (PSOL) feito em 2025 revelou, naquela época, conforme resposta da Prefeitura, que nem a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) examinou ou aprovou o projeto e a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento), embora não tenha aprovado o projeto em si, apenas havia emitido uma outorga, publicada no Diário Oficial da União, autorizando o SAAE Itapira a captar uma vazão máxima de 320 litros por segundo, durante dez anos, no local da antiga captação da Usina de Açúcar e Álcool, que fica localizada às margens do Rio do Peixe, local onde seriam instaladas quatro conjuntos motor-bomba uma adutora por recalque em PEAD (polietileno de alta densidade) com o diâmetro nominal de 600 mm e extensão de 7.731 metros (até o ponto de captação de água no Ribeirão da Penha).

Prefeitura

A reportagem questionou a Prefeitura para saber sobre o andamento de todo esse processo da construção da captação de água no Rio do Peixe.

Conforme informado pela assessoria de comunicação, a obra “está em fase de elaboração do edital para licitação”, mesmo tendo passado mais de um ano da liberação da verba pelo governo federal

A respeito do projeto das obras, foi informado que o “projeto executivo já existia desde à época que o município se inscreveu no PAC”, projeto este que foi apresentado na visita de Toninho Bellini à Brasília. Ainda foi dito que a Prefeitura “aguardava a aprovação desses documentos pela Caixa Econômica Federal para a elaboração da licitação”. Como parte da verba já teria sido liberada lá em 2024, a demora para a elaboração da licitação gera questionamentos.

Obras na antiga captação da Usina, às margens do Rio do Peixe, ainda não tiveram início – Foto Tribuna de Itapira

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