O mês de março chegou com uma indigesta surpresa para muitos itapirenses. O que deveria ser um reajuste inflacionário de pouco mais de 5% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 2026, transformou-se, na prática, em um pesadelo financeiro. O Tribuna de Itapira recebeu uma enxurrada de reclamações de moradores que relatam distorções astronômicas nos carnês, com casos de aumento de mais de 200% em relação ao ano anterior.
O pivô da polêmica é uma atualização cadastral realizada por drones e imagens aéreas por empresa contratada pela administração municipal. Na prática, o “olho digital” pareceu estar sofrendo de miopia: moradores denunciam ao Tribuna que simples coberturas de garagem e ranchos foram interpretados pelo sistema como ampliações de área construída (lajes), elevando drasticamente o valor do imposto.
“Lançaram os valores tudo errado. Fiz uma cobertura para minha garagem e a Prefeitura considerou como se fosse laje e ampliação de minha casa”, desabafou um contribuinte que preferiu não se identificar.
Questionada pela reportagem sobre os critérios específicos de tributação para garagens e coberturas, não foi enviado resposta até o fechamento desta edição. A falta de clareza sobre como uma estrutura aberta pode ser taxada da mesma forma que uma área ade alvenaria gera revolta e insegurança jurídica na população.
Respostas
Em nota enviada via assessoria, a administração admitiu a possibilidade de falhas, chamando-as de “eventual interpretação equivocada de imagem aérea”. A empresa contratada utilizou fotos de agosto de 2025 para basear os cálculos. A Prefeitura justificou que áreas como ranchos e coberturas estão sujeitas à incidência de IPTU, mas reconheceu que o sistema pode ter computado dois pavimentos em imóveis que possuem apenas um pavimento parcial.
Apesar de admitir um possível erro, a solução apresentada pela gestão municipal transfere o fardo para o morador. Quem se sentir lesado deve interromper sua rotina e comparecer pessoalmente ao Setor de Cadastro Imobiliário (Rua Orestes Pucci, nº 44), munido de documentos e, preferencialmente, projetos aprovados.
Para os críticos da medida, a estratégia de “atirar primeiro e perguntar depois” sobrecarrega o cidadão comum, que agora precisa provar que sua própria casa não cresceu da noite para o dia, enquanto o boleto com vencimento para este mês já bate à porta.
Foram distribuídos praticamente 36 mil carnês e os vencimentos terão início em 16 de março. Na referida data poderão ser efetuados os pagamentos tanto da parcela única como também da primeira, para aqueles que optarem pelo parcelamento do imposto.

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