Um outro software vem causando polêmica em Itapira e envolvendo a atual administração municipal. Depois de dois anos com queixas dos servidores a respeito da falta de funcionamento do sistema ligado à área da Saúde e que foi contratado por milhões, agora é um da educação que deixou os professores da rede municipal “na mão”. A questão foi debatida na Câmara municipal, durante sessão de quinta-feira, 6.

Trata-se de um sistema pedagógico, o qual os professores utilizavam para a gestão educacional – como documentação, acompanhamentos e análises – que funcionava de forma online, porém, parou de operar na última semana.

O vereador Leandro Sartori (PSOL) expôs a preocupação dos professores da rede municipal com o sistema fora de operação. “Um acúmulo de conteúdos de planejamento”, disse, ressaltando que muitos educadores reclamaram sobre a situação.

“A direção pede a entrega do planejamento e ele não é colocado no sistema”. “Que não seja um trabalho dobrado, ter que entregar impresso e depois passar na plataforma”.

Sartori também expôs a administração municipal, dizendo que “não se consegue uma resposta do Executivo sobre o retorno do software”.

A vereadora Marisol Garcia (REP), que é professora, também fez uso da palavra e deixou bem esclarecido a atual situação da educação municipal.

Marisol apresentou inicialmente o resultado de uma enquete, que foi realizada pela vereadora, mostrando que os professores aprovam o uso da plataforma Mais Educar. De acordo com os dados mostrados, a ampla maioria dos educadores que fazem parte da Creche, EMEI e Fundamental avaliaram como “boa” a plataforma – o que agrava o problema do sistema ter saído fora do ar.

“Nós estamos fazendo sim manual as faltas, é de extrema importância ter a porcentagem de presença para estar apto ao ano letivo e a preocupação é que estamos acumulando o nosso planejamento”.

A vereadora ainda fez questão de reforçar que todos os deveres dos professores estão sendo cumpridos, mesmo sem a plataforma operando, e que os “alunos não estão sendo prejudicados”.

Ela ainda explicou que é colocado no sistema “tudo o que envolve a vida pedagógica, todas as informações”.

Pagamento

Durante o pequeno expediente na Câmara, o vereador Tiago Fontolan (PL) também se pronunciou e levantou uma grave questão do que poderia ter ocasionado a falta de operação do sistema da educação.

Ele disse que, como é difícil obter respostas da Prefeitura, que foi pesquisar no portal da transparência e localizou a contratação do serviço.

“Ela (a empresa) foi contratada em 23 agosto de 2024 e até 23 de agosto de 2025, ou até a presente data, não existe um pagamento direcionado para a empresa. A empresa trabalhou de graça oferecendo o serviço por um ano e então, muito provavelmente, o programa está cortado por falta de pagamento”.

Fontolan ainda frisou a solicitação que os professores receberam para que todo o trabalho passasse a ser feito à mão, concluindo que “se foi solicitado não existe previsão de retorno”.

Prefeitura

O Tribuna enviou questionamentos para a Prefeitura a respeito do motivo da interrupção do funcionamento da plataforma online dirigida aos professores e se a questão da falta de pagamento para a empresa era verdadeira.

Via assessoria de comunicação foi explicado que “o contrato com a empresa responsável pela plataforma de gestão administrativa e de turmas da Secretaria Municipal de Educação chegou ao fim e não foi renovado devido ao alto custo proposto. Em razão do atual cenário financeiro, há uma orientação da Secretaria da Fazenda para redução de despesas. As secretarias de Educação e Recursos Materiais, em conjunto com o Departamento de Tecnologia da Informação e Secretaria de Negócios Jurídicos, já estão trabalhando para garantir a disponibilização de uma plataforma com as mesmas funcionalidades. Após a formalização do novo contrato, será feita a migração dos dados e o treinamento dos servidores. Nenhum dado será perdido e as atividades da rede municipal de ensino seguem normalmente”.

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.