Neste mês de março, um marco indesejado para a administração pública é atingido em Itapira: completam-se exatos dois anos de atraso desde o prazo original de conclusão da reforma do Mercado Municipal. Iniciada em 10 de março de 2023, a obra — que foi executada sob o pretexto de ser um símbolo de modernidade e resgate cultural — tornou-se um monumento à lentidão e ao descaso com o dinheiro público.
O projeto, executado pela JEA Construtora e Incorporadora Ltda., previa a entrega em 12 meses. Contudo, o que se viu de lá para cá foi uma sucessão de prorrogações e um aumento de custo na obra. O valor inicial, orçado em R$ 6,11 milhões, recebeu um aditivo de outros R$ 1,59 milhão, totalizando R$ 7,71 milhões – um aumento de 26% no custo total inicial da reforma.
A situação ganha contornos ainda mais questionáveis quando analisada pelo Portal da Transparência. O contrato com a JEA consta como “vencido” desde julho do ano passado. Curiosamente, apesar do prédio apresentar sinais visíveis de deterioração antes mesmo da reinauguração — como o desgaste precoce da pintura —, o município já desembolsou R$ 7,70 milhões. Ou seja: quase a totalidade do valor foi paga por uma obra que ainda não foi entregue à população.
A reportagem do Tribuna esteve no local, falou com populares e constatou o ritmo lento dos trabalhos, que chegaram a ficar paralisados em determinados momentos.
Prefeitura
O Tribuna enviou questionamentos à Prefeitura a respeito do que estaria faltando fazer ainda para concluir toda a obra e como anda a relação entre o município e a empresa contratada.
Em resposta, via assessoria de comunicação, foi informado que as obras se encontram em “fase final de execução, com a conclusão das últimas pendências previstas no contrato”.
Estariam em andamento os serviços de instalação de um elevador, finalização da parte elétrica, conclusão da rede de combate a incêndio, instalação dos vidros e repintura final em áreas pontuais.
De forma geral, a Prefeitura indicou que os referidos serviços devem ser concluídos em até 20 dias, mas não afirmou data da entrega da obra ou inauguração.
Ainda segundo a Prefeitura, a “aparente baixa presença de trabalhadores no local ocorre porque grande parte das atividades atuais é realizada em áreas específicas e pouco visíveis ao público, como no interior do poço do elevador, na casa de bombas da rede de incêndio e em pontos internos da instalação elétrica”.
A Prefeitura esclareceu ainda que a execução da obra é de responsabilidade da empresa contratada, não havendo atuação direta de servidores municipais nos serviços da obra. “Em uma situação pontual, foi realizada apenas a remoção preventiva de pequenas partes de pintura que haviam se desprendido”.
A Secretaria de Planejamento Urbano e Obras afirmou que os serviços atualmente em execução “já estão contemplados nos pagamentos realizados conforme o andamento contratual da obra”.
Incertezas
A reforma começou do Mercadão começou sob protestos. Para iniciar as obras, a Prefeitura teve de retirar comerciantes que ocupavam os boxes há mais de 40 anos, muitos alegando prejuízos irreparáveis. A justificativa teria sido exigências do MP, já que nunca havia sido feita uma licitação para ocupar os pontos comerciais.
A promessa era uma mudança no perfil comercial: sairiam os eletrônicos e vestuários para dar lugar a um “Mercadão raiz”, focado em gastronomia e produtos naturais.
No entanto, com o atraso crônico, muitos duvidam que o local recupere o fluxo de público de outrora. “O investimento é altíssimo para um retorno incerto. O prédio está apodrecendo antes de abrir”, comentou um popular que passa diariamente pelo local e falou com a reportagem.
O Mercadão não é um caso isolado, mas sim um padrão na administração de Toninho Bellini. A gestão acumula obras milionárias com falhas de planejamento gritantes.
No Complexo da Saúde, ao custo de mais de R$ 9 milhões, o local atende parcialmente sem inauguração oficial. O episódio do elevador — que foi instalado sem capacidade para transportar pacientes em macas — permanece sem esclarecimento, mesmo após a prefeitura buscar novos empréstimos para sanar o erro. Já na ponte sobre o Ribeirão da Penha, custo de mais de R$ 3 milhões e, após um longo atraso na entrega, ainda não apresentou a melhora prometida no fluxo de trânsito da região.

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