O encerramento da 138ª Festa de Maio abriu margem para um forte questionamento sobre a transparência e o destino das receitas geradas pelo comércio ambulante no evento.

Desde o término das festividades, a reportagem do Tribuna de Itapira vem solicitando à administração os dados consolidados da arrecadação municipal com as taxas de ocupação de solo. No entanto, os números preliminares apresentados pela Prefeitura destoam da realidade observada nas ruas e indicam uma discrepância de centenas de milhares de reais, levantando questionamentos sobre a fiscalização e as regras de cobrança.

Valores

No encerramento da festa, questionada pelo Tribuna, a Prefeitura informou que “o valor arrecadado até o momento é de R$ 238.258,88”. Segundo a justificativa oficial, o montante inclui as inscrições feitas via decreto e as diárias de comerciantes de fora que procuraram o município após o início da festa para ocupar espaços remanescentes.

A resposta, contudo, esbarra nas próprias regras do edital do evento, que estipulava a obrigatoriedade do pagamento antecipado para a garantia dos pontos. A admissão do contabilizado “até o momento” e que houve entrada de comerciantes posterior ao início da festa dá a entender que o critério de antecipação não foi aplicado de forma linear, sugerindo privilégios ou falta de controle na entrada de novos comerciantes ao longo dos 13 dias de festa.

Matemática

A maior incoerência reside na projeção financeira. A reportagem do Tribuna esteve presente no circuito da festa nos últimos dias e realizou a contagem física dos pontos comerciais. Excluindo as barracas do Largo de São Benedito — que são de responsabilidade da Igreja —, foram contabilizados pelo menos 130 comércios ambulantes em atividade.

Se aplicados os valores fixados pelo próprio decreto municipal, a arrecadação deveria superar facilmente os R$ 500 mil. A conta é simples:

Apenas na Rua General Carneiro: A reportagem identificou 48 comércios. O edital cobrava R$ 35,00 por metro quadrado ao dia. Considerando um tamanho padrão estimado em modestos 10 m², cada barraca deveria recolher R$ 4.550,00 pelo período. Multiplicado pelos 48 pontos, o total ultrapassa R$ 218 mil — valor que, sozinho, praticamente empata com o balanço total divulgado pela Prefeitura para toda a festa.

Este cálculo acima ignora a receita vinda das ruas da Saudade e Saldanha Marinho (R$ 25,00/m² por dia) e, principalmente, o setor de alimentação, cujas taxas eram consideravelmente mais caras (R$ 40,00/m² para até 12 m² e R$ 50,00/m² para metragens superiores). Com mais de 80 barracas distribuídas por esses setores, o montante final deveria, obrigatoriamente, passar de meio milhão de reais.

Sem resposta

A divergência explícita entre a quantidade de barracas operando e o volume de dinheiro que entrou nos cofres públicos motivou o Tribuna a solicitar novamente os valores arrecadados. Até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi enviada pela Prefeitura. O espaço permanece aberto para que o governo municipal explique a matemática que, até agora, não fecha aos olhos da população.

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