A centenária Festa de Maio de Itapira já está ganhando forma nesta semana, mas o clima entre os itapirenses é de incerteza e críticas. Enquanto a interdição das vias principais terão início na noite desta de terça-feira (28) e a montagem das barracas na quarta-feira (29), o que se vê é um evento significativamente menor do que em anos anteriores.

O impacto mais visível está no comércio. Para 2026, conforme apurado pelo Tribuna, foram confirmadas apenas 68 barracas (29 de alimentação e 39 de variedades) — um número que ainda pode sofrer alterações caso haja desistências durante a fase de pagamento. O dado é alarmante: a redução é de 44% em relação a 2025 (que contou com 122 inscritos) e de impressionantes 62% comparado a 2024, quando 182 comerciantes participaram.

Até mesmo a “Rua do Turista” (Rua Agostinho Cavenaghi) segue em compasso de espera, com regulamentação divulgada apenas no último dia 23 e participações sob avaliação.

Parque

O parque de diversões, historicamente o coração do entretenimento da festa, também não escapou do “enxugamento”. Após uma polêmica demora da Prefeitura na organização que inviabilizou a presença do tradicional Unipark, a administração municipal recuou na decisão sobre o espaço físico.

O parque contratado, que já está com os brinquedos montados, ocupará uma área restrita: apenas o gramado da Rua Vitório Coppos. Diferente do ano passado, o asfalto não será utilizado para não impactar o Complexo de Saúde e o Centro de Hemodiálise. Na prática, o público terá um parque reduzido, reflexo da falta de planejamento que marcou as últimas semanas.

De graça?

A poucos dias do início oficial da festa – que ocorre de 1 a 13 de maio -, a Prefeitura ainda não divulgou a grade de shows e atrações. O silêncio institucional é acompanhado por uma revolta da classe artística local.

A administração Bellini abriu cadastro para grupos interessados em se apresentar no começo de abril, mas com uma condição inédita e controversa: não haverá remuneração. A proposta de “apresentações gratuitas” gerou indignação, visto que a Prefeitura arrecada valores altos com as taxas cobradas dos comerciantes. Para críticos e artistas, a medida é um desrespeito ao trabalhador da cultura e expõe a gravidade da crise financeira que assola os cofres municipais.

Além disso, é questionável o motivo da prefeitura investir centenas de milhares de reais para bancar atrações no Rodeio – que é uma festa privada – e não querer aplicar recursos na mais antiga festa popular itapirense.

Com a montagem prestes a começar, a Festa de Maio de 2026 desenha-se como uma edição de “resistência” — não pela força da tradição, mas pelas limitações impostas por uma gestão que parece ter perdido o fôlego para realizar o maior evento popular da cidade.

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