A omissão do governo municipal diante de erosões críticas se espalha por diversos bairros, transformando áreas de lazer e convivência em cenários de perigo constante.
Crateras que avançam sobre o asfalto, calçadas engolidas pela força das águas e estruturas públicas interditadas sem prazo para reforma. Esse é o retrato atual de Itapira, uma cidade que parece ver sua infraestrutura escoar pelos ralos enquanto a resposta da Prefeitura Municipal permanece estagnada no campo das promessas e de demorados trâmites burocráticos. O sentimento de moradores, esportistas e motoristas é o mesmo: indignação diante do abandono.
Salgados
A situação mais recente ocorre no cruzamento da Avenida Vereador David Moro com a Rua Guilherme de Almeida, no bairro dos Salgados. O córrego que corta o trecho desbarrancou de forma violenta, arrastando um muro de contenção e grande parte da calçada.
A gravidade do problema é potencializada pela localização. O ponto fica nas proximidades de uma unidade escolar e em um trajeto massivamente utilizado por moradores para a prática de caminhadas e atividades físicas. Sem a calçada, pedestres disputam o asfalto com os veículos, sob o risco constante de novos desabamentos da estrutura restante.

Santa Marta
Se engana quem pensa que o problema é isolado. Na Avenida Lions Clube, no cruzamento com a Rua das Rosas, no Jardim Santa Marta, a situação beira o calamitoso. O local integra as imediações do popular “Zerão” — área tradicionalmente utilizada por famílias e esportistas.
Ali, a erosão iniciada há tempos atingiu um ponto crítico. O asfalto está sendo literalmente “sugado” para dentro da cratera, ampliando os riscos de acidentes graves tanto para motoristas quanto para pedestres.
O histórico desse descaso é longo e vem sendo abordado pelo Tribuna. O desbarrancamento crítico teve início ainda em abril de 2024. De lá para cá, o problema só piorou. O único posicionamento dado a reportagem pela Prefeitura de Itapira ao longo de todo esse período foi a justificativa padrão de que “estaria sendo preparada uma licitação”. Enquanto o processo não sai do papel, a terra continua cedendo. Para piorar a mobilidade na região, a pequena ponte de ferro próxima à Avenida Jacareí, que conectava os dois lados da Avenida Lions Clube, está interditada há meses devido ao risco iminente de queda de toda a estrutura.

Praça da Justiça
A reportagem também constatou, após denúncias de moradores locais, que a destruição alcançou a região da Penha do Rio do Peixe. Em um trecho da Avenida Dr. Décio Queluz, mais especificamente na Praça da Justiça, o cenário é desolador.
As erosões no local já atingiram grandes proporções e estão avançando de forma agressiva sobre a praça. O espaço útil de convivência está sendo severamente reduzido e, na expressão usada pelos próprios moradores revoltados, a área de lazer está literalmente “indo para o buraco”.


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