O desempenho econômico de Itapira nos primeiros cinco meses de 2026 acendeu o sinal de alerta para as finanças públicas locais, setor que já se encontra em crise. Dados oficiais da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo revelam que o município registrou o menor índice de crescimento no recebimento da quota-parte do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) entre cidades da Baixa Mogiana e do Leste Paulista.
Enquanto Mogi Mirim liderou a região com uma expansão de 7,4% nos repasses fiscais, seguida de perto por Amparo (6,9%) e Mogi Guaçu (6,9%), Itapira viu sua arrecadação avançar apenas 2,7%. Em termos práticos, o incremento no caixa de Itapira foi de pouco mais de R$ 1 milhão no comparativo de janeiro a maio de 2025 e 2026, um valor modesto quando comparado aos R$ 4,4 milhões a mais recebidos por Mogi Guaçu ou aos R$ 3,8 milhões injetados na economia de Mogi Mirim.
A explicação técnica para o desempenho abaixo da média regional está diretamente ligada ao encolhimento da atividade econômica da cidade nos anos anteriores. O Índice de Participação dos Municípios (IPM), que dita o tamanho da fatia que cada prefeitura tem direito a receber do bolo tributário estadual, sofreu um duro revés em Itapira.
Na última atualização da tabela, que reflete o desempenho produtivo das cidades, Itapira registrou uma retração severa de 6,0% no seu índice. Esse recuo foi o pior verificado no bloco regional. Para fins de comparação, a perda de espaço de Itapira no cenário estadual foi quase três vezes maior do que a de Amparo (-2,1%) e Mogi Guaçu (-2,1%), e muito superior à de Mogi Mirim, que oscilou apenas -1,7%.
Como o ICMS representa uma das principais fontes de receita corrente dos municípios paulistas, o ritmo lento de crescimento compromete o fôlego financeiro da administração direta. O avanço de apenas 2,7% mal cobre as perdas inflacionárias do período, o que restringe a capacidade do município em empenhar recursos próprios em obras de infraestrutura, zeladoria e expansão dos serviços de saúde e educação.
A incapacidade de acompanhar o ritmo de expansão dos vizinhos coloca em evidência a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à atração de novas indústrias e ao fortalecimento do comércio local, as quais a gestão de Toninho Bellini aponta ter grande dificuldade.


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