A maior e mais tradicional celebração popular de Itapira, a “Festa de Maio”, chega à sua 138ª edição neste ano sob a sombra do descaso administrativo municipal. O momento de celebração da cultura e da religiosidade local corre o risco de sofrer um golpe histórico: a ausência do parque de diversões devido a uma falta de planejamento da gestão do prefeito Toninho Bellini que, apesar de saber há meses que o local costumeiro estaria indisponível, não apresentou alternativas antecipadas viáveis para abrigar os brinquedos.

Em apuração do “Tribuna de Itapira”, a gerência do Unipark — empresa que há décadas marca presença no evento — confirmou que a participação este ano é incerta e provavelmente não irá ocorrer. O impasse central reside após o funcionamento do novo prédio da Saúde, na rua Vitório Coppos, uma obra de quase R$ 10 milhões marcada por polêmicas, como elevadores que não comportam macas e que não teve ainda a inauguração oficial, que inviabilizou o antigo espaço do parque, o qual hoje é utilizado como estacionamento.

“Não”

Segundo o Unipark, houve tentativa de diálogo. A empresa sugeriu utilizar o mesmo local do ano passado, argumentando uma força tarefa em conjunto, já que o fluxo da Saúde não conflitaria com o horário de funcionamento do parque. A resposta do poder público teria sido um “não”, alegando obras previstas na área em que hoje é utilizada com estacionamento. “A prefeitura negou o uso do espaço”.

Ainda segundo o Unipark, outros locais foram avaliados em reuniões com a Paróquia de São Benedito e Secretaria da Cultura. “Todos os outros locais que fomos ver com a prefeitura e a paróquia, por questões de segurança e logística, não foram viáveis”. Locais como um terreno ao lado do Uniesi foi descartado por falta de qualidade no solo e ausência de rotas de fuga, evidenciando que as sugestões da administração foram feitas de forma improvisada, sem estudo técnico prévio. A gerência também informou que as ruas próximas ao evento também não comportam ou não permitem a instalação dos brinquedos.

Sobre a possibilidade de retornar com os brinquedos no entorno do Largo de São Benedito, onde foi muitos anos, o Unipark expôs que o ponto apresenta alguns empecilhos com a paroquia em relação aos horários de missa e estrutura das barracas da igreja, além de ser um espaço bem mais limitado.

“Por esses motivos, pela data que já está próxima e por questões de logística, acredito que esse ano não será possível (a vinda do parque para a festa)”, afirmou o represente do Unipark ao “Tribuna”.

Impacto

A ausência do parque não é apenas uma perda estética ou de lazer, mas sim um revés social. Tradicionalmente, o Unipark oferece ingressos para alunos da rede pública e reserva tardes exclusivas para entidades assistenciais do município. Sem os brinquedos, centenas de crianças carentes e assistidos por projetos sociais perdem sua única oportunidade anual de acesso a esse tipo de entretenimento.

Essa crise se soma ao declínio do comércio ambulante na festa. Entre 2023 e 2025, o aumento nas taxas praticadas pela prefeitura já havia afastado mercadores e reduzido a circulação de público. Agora, provavelmente sem o principal atrativo infantil e para as famílias, a tradição econômica da festa sofre nova ameaça.

Em xeque

A gerência do Unipark foi enfática ao destacar ao “Tribuna” que o problema é antigo e ignorado pela gestão: “A questão não é de hoje. Estamos todos os anos pedindo para que tentem viabilizar outro local. Se não der certo este ano, que no próximo todos possam se organizar de forma prévia”.

A fala expõe a ferida aberta na Secretaria da Cultura e no Gabinete do Prefeito: a incapacidade de antecipar problemas óbvios. Enquanto a administração se ocupa com obras de custo elevado e funcionalidade questionável, o patrimônio imaterial de Itapira e o sorriso das crianças ficam em segundo plano. Sem uma solução de última hora, a 138ª “Festa de Maio” poderá entrar para a história como a edição em que a falha de gestão pública apagou as luzes do parque.

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