A economia de Itapira fechou o primeiro semestre de 2026 com o seu pior desempenho no mercado formal de trabalho desde o período pós-pandemia. Segundo dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e checados pela reportagem da Tribuna de Itapira no dia 30 de julho, o saldo acumulado entre janeiro e junho foi de apenas 74 novos postos de trabalho.

O resultado reforça a situação crítica do desenvolvimento econômico do município. O saldo atual representa uma queda de 82,1% em relação ao primeiro semestre de 2025 (que abriu 415 vagas) e um recuo drástico de 92,3% quando comparado ao pico histórico do semestre de 2021 (966 vagas).

Desde 2020, ano de paralisação global devido à pandemia da Covid-19 (quando a cidade fechou 698 vagas), Itapira não registrava números tão baixos na primeira metade de um ano. Críticos apontam que o cenário é reflexo direto de uma persistente crise fiscal e da incapacidade da gestão de Toninho Bellini, iniciada em 2021, em atrair novos investimentos industriais e comerciais.

Evolução Histórica (Primeiros Semestres)

2020 (Pandemia): -698 vagas

2021: +966 vagas (Pico histórico)

2022: +782 vagas

2023: +128 vagas

2024: +401 vagas

2025: +415 vagas

2026: +74 vagas (Queda de 82,1% ante 2025)

Indústria e do Comércio

O mês de junho consolidou o fechamento ruim do semestre, anotando um saldo tímido de apenas 13 vagas abertas (resultado de 907 admissões contra 894 demissões). O desempenho só não foi pior devido ao setor de Serviços, que sustentou a balança com +43 vagas.

Em contrapartida, as duas principais forças produtivas da cidade encolheram: o comércio extinguiu 6 postos de trabalho e a indústria demitiu mais do que contratou, fechando o mês com saldo negativo de 28 vagas. Agropecuária (+2) e Construção (+2) operaram na estagnação.

Os dados demográficos de junho expõem distorções no perfil de contratação. O mercado local penalizou as mulheres, que fecharam o mês com saldo negativo de -19 vagas, enquanto os homens abriram +32 postos. A faixa etária produtiva de 25 a 29 anos foi a mais afetada pelas demissões (-33 vagas), assim como profissionais com ensino médio completo (-33 vagas). O saldo geral só se manteve positivo pela absorção de mão de obra jovem de até 17 anos (+38) e com ensino médio incompleto (+58).

Isolamento

Na comparação regional, o baixo dinamismo econômico deixa Itapira na lanterna do desenvolvimento regional. No mês de junho, o município só apresentou desempenho superior a Águas de Lindoia (-2) e Serra Negra (-19), duas cidades com economias estritamente voltadas ao turismo de inverno e sazonais.

Quando comparada aos polos industriais e comerciais vizinhos, Itapira foi amplamente superada. Mogi Guaçu liderou a região com a criação de 316 novas vagas, seguida por Amparo (+137), Mogi Mirim (+117), Jacutinga (+87) e Lindoia (+28). O isolamento estatístico da cidade reforça a tese de que os municípios vizinhos têm conseguido reter e atrair empresas com maior eficiência, agravando a crise fiscal local.

O Raio-X Regional (Saldo de Junho/2026)

Mogi Guaçu: +316

Amparo: +137

Mogi Mirim: +117

Jacutinga: +87

Lindoia: +28

Itapira: +13

Águas de Lindoia: -2

Serra Negra: -19

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