Uma comparação direta entre os gastos públicos com saúde na região acendeu o sinal de alerta sobre a eficiência dos custos de engenharia em Itapira. A construção da nova Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Assad Alcici, iniciada recentemente com orçamento fechado em R$ 1.288.500,00, revela uma disparidade gritante quando colocada lado a lado com a obra de outra UBS em andamento na vizinha Mogi Guaçu, no bairro Jardim Imperial.

Embora o valor total do contrato de Itapira pareça menor à primeira vista, o tamanho acanhado da unidade local faz com que o município pague uma “tarifa” muito mais salgada por cada palmo de concreto erguido. O metro quadrado construído em Itapira custará R$ 5.133,47. Em Mogi Guaçu, o valor despenca para R$ 3.622,39 por metro quadrado — uma diferença de 41,7% a favor da cidade vizinha. Na ponta do lápis, Itapira paga exatos R$ 1.511,08 a mais por metro quadrado.

“Preço de Ouro”

A reportagem apurou que nenhum dos dois contratos das prefeituras inclui a compra de mobiliário, computadores, macas ou aparelhos odontológicos. Em ambos os municípios, as licitações cobrem estritamente a “obra bruta”: fundação, alvenaria, vigas, telhado, acabamento e instalações elétricas e hidráulicas. Os equipamentos de saúde precisarão ser adquiridos em licitações futuras separadas.

O que chama a atenção é o fator de escala. A Prefeitura de Mogi Guaçu licitou um projeto robusto: um complexo de 697,35 m² de área construída, capaz de abrigar 32 ambientes, incluindo 14 salas de atendimento e três consultórios odontológicos completos, pelo valor total de R$ 2.526.074,58.

Já o projeto de Itapira prevê uma estrutura de apenas 251 m² — quase três vezes menor que a da cidade vizinha —, dividida de forma fragmentada em três blocos que irá abrigar aproximadamente 16 salas: no primeiro bloco estará a recepção, no segundo consultórios, salas de curativo e procedimentos, apoio técnico, administração e sala de reuniões e no terceiro sala de imunização e vacinação, farmácia, consultório ginecológico, copa e vestiários para funcionários.

A área quase três vezes menor de Itapira custará a metade do preço total do “megapostão” guaçuano, gerando questionamentos do porquê que Itapira não consegue uma obra mais em conta para os cofres públicos.

O custeio da obra de Itapira será realizado por meio de empréstimo no Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento) e de uma emenda parlamentar da deputada estadual Mônica Seixas, no valor de R$ 400 mil.

Cabe relembrar os altos custos de obras executadas pela gestão de Toninho Bellini, como R$ 15 milhões em 1.300 metros de avenida no Parque Santa Bárbara, e outros R$ 7,7 milhões e R$ 9,1 milhões no Mercado Municipal e Complexo da Saúde, respectivamente, ambos com obras atrasadas e que ainda não foram entregues oficialmente.

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