A “novela” envolvendo a conquista de uma sede própria e digna para a Fatec (Faculdade de Tecnologia) “Ogari de Castro Pacheco” de Itapira finalmente teve seu desfecho legislativo na noite da última quinta-feira, 29 de outubro. Durante sessão ordinária da Câmara Municipal, os vereadores aprovaram o Projeto de Lei Complementar nº 18/2026, enviado pelo Executivo, que autoriza a doação sem encargos de um imóvel público de 9.288,29 m², localizado no Parque Santa Bárbara, para o Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS).

Embora a aprovação represente uma vitória histórica para a educação da cidade, o clima nos bastidores políticos e na comunidade acadêmica está longe de ser de agradecimento ao prefeito Toninho Bellini. Pelo contrário: o sentimento predominante é de indignação pelo tempo desperdiçado. Se o chefe do Executivo itapirense tivesse agido com a presteza e o interesse público que o cargo exige, o novo campus da faculdade não seria apenas uma promessa no papel, mas uma realidade que já poderia estar pronta e inaugurada.

Lentidão

A necessidade de um novo prédio para a Fatec se arrasta há anos. A instituição funciona em um edifício construído na década de 1970, na Rua Tereza Lera Paoletti (Bela Vista), que há muito tempo dá sinais de esgotamento. Relatórios internos e denúncias expuseram uma realidade vergonhosa: salas de aula que inundam durante as chuvas e goteiras que ameaçam computadores e laboratórios tecnológicos.

A oportunidade real de mudança surgiu em 7 de julho de 2023, quando o Deputado Estadual Barros Munhoz oficializou um pedido à Prefeitura de Itapira para a disponibilização de uma área. O parlamentar assumiu o compromisso pessoal de viabilizar 100% dos recursos necessários para a construção junto ao Governo do Estado de São Paulo.

A resposta de Toninho Bellini foi o silêncio. Foi necessário um ano inteiro de cobranças até que, em junho de 2024, durante o evento de aniversário de 10 anos da Fatec, Barros Munhoz expusesse publicamente a “saia justa”: o Prefeito simplesmente ignorara o ofício.

Pressão

Pressionado pela repercussão negativa, o governo municipal começou a operar em um ritmo burocrático e ineficiente. No fim de 2024, a Prefeitura tentou empurrar para a instituição duas áreas paralelas no Parque Santa Bárbara que somavam 5 mil metros quadrados. Engenheiros do Centro Paula Souza reprovaram o local de imediato: a topografia acidentada e o declive acentuado faziam com que menos da metade do terreno fosse aproveitável, exigindo movimentações de terra milionárias e dificultando o escoamento de esgoto.

Mais uma vez, o papel de destravar a incompetência administrativa coube à oposição. Ao perceber o impasse, a Fatec sugeriu que a Prefeitura incorporasse ao projeto uma área vizinha de mil metros quadrados, que estava reservada para o Corpo de Bombeiros. Diante da passividade de Bellini, o deputado Barros Munhoz interveio diretamente junto ao Secretário de Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite, obtendo o sinal verde para o remanejamento da base dos bombeiros e salvando o projeto da expansão.

O empurrão final ocorreu em meados de 2025. Cansado do marasmo da administração municipal, o Chefe de Gabinete do Centro Paula Souza, Otávio Jorge de Moraes Júnior, enviou um ultimato com prazo de 30 dias para a cessão do terreno. Sob o risco iminente de Itapira perder a verba estadual e ver o investimento ser transferido para outro município, a prefeitura finalmente correu para assinar, em 11 de junho de 2025, o decreto de utilidade pública para desapropriação das terras.

Futuro

O projeto aprovado nesta semana detalha que a área de 9,2 mil m² é o resultado da unificação de duas glebas no Parque Santa Bárbara (Gleba A, de 6,2 mil m², e Gleba B, de 3 mil m²). Como os terrenos pertenciam a particulares, a prefeitura precisou gastar recursos públicos com desapropriações que poderiam ter sido evitadas se houvesse planejamento e doação de áreas dominicais nativas do município desde o início.

O impacto desse atraso recai diretamente sobre as costas dos estudantes. Atualmente, a Fatec atende cerca de 600 alunos divididos em três cursos. Com o novo prédio projetado adequadamente próximo à Etec “João Maria Stevanatto”, a instituição tem a garantia de duplicar a sua capacidade para 1.200 estudantes e abrir novas frentes de ensino voltadas às demandas do mercado tecnológico regional.

A aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 18/2026 encerra o ciclo de entraves políticos criados pela própria Prefeitura. Agora, com o terreno legalmente assegurado para o Centro Paula Souza, a bola volta para os braços do Estado para que as obras comecem o quanto antes. Fica a lição amarga para Itapira de como a falta de agilidade e a letargia de uma gestão podem frear o futuro educacional e o desenvolvimento de uma cidade inteira.

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